A correia banhada a óleo do Tracker foi, por anos, o maior fantasma na hora de comprar um Chevrolet de três cilindros. Casos de esfarelamento precoce assustaram o mercado e derrubaram o valor de revenda. Mas a Chevrolet mudou a composição da peça e, desde novembro de 2024, oferece garantia de 240 mil km — sem limite de tempo, e maior que a garantia do próprio carro. Neste artigo, mostramos o que realmente mudou, qual é a única regra que você não pode quebrar e como fica o Tracker 2027 nesse cenário.
Existe uma pergunta que qualquer pessoa faz antes de fechar negócio num Chevrolet de três cilindros: a correia banhada a óleo do Tracker ainda é uma bomba-relógio?
A resposta curta é não — e o motivo pelo qual a correia banhada a óleo do Tracker mudou de status é um número que a maioria dos artigos sobre o Tracker 2027 sequer menciona. Desde novembro de 2024, a Chevrolet dá 240 mil km de garantia para a correia, sem limite de tempo. É mais que a garantia do próprio veículo (3 anos ou 100 mil km) e equivale à vida útil total prevista no manual de serviço.
Só que essa garantia tem uma condição. E é justamente onde a maioria dos proprietários perde a cobertura sem nem perceber.
O Que Era o Problema da Correia Banhada a Óleo do Tracker
A General Motors adota o sistema de correia imersa em óleo desde 2019, nos motores da família CSS Prime — os três cilindros 1.0, 1.0 turbo e 1.2 turbo que equipam Onix, Onix Plus, Tracker e Montana.
A ideia técnica por trás da correia banhada a óleo do Tracker é boa: rodando dentro do óleo, a correia sofre menos atrito, faz menos barulho e pesa menos que uma corrente metálica. Na teoria, dura mais.
Na prática, começaram a aparecer relatos de correias se desfazendo com quilometragens muito abaixo do esperado — em alguns casos, antes dos 50 mil km. Os resíduos da borracha entupiam a bomba de óleo e o estrago no motor virava conta alta — foi aí que a correia banhada a óleo do Tracker ganhou má fama.
Segundo a própria GM, a causa não era o projeto: era o uso de óleo fora da especificação Dexos indicada no manual do proprietário. Óleo genérico, mineral ou aditivo de posto ataca quimicamente a correia, que incha e desfia por dentro do motor.
O Que a Chevrolet Mudou na Correia Banhada a Óleo do Tracker
A montadora agiu em duas frentes, e as duas importam para quem vai comprar um Tracker 2027.
1. Nova composição da peça. Segundo o Chevrolet Academy, portal técnico oficial da marca, a correia atual é feita de borracha sintética nitrílica hidrogenada, revestida com Teflon e fibra de vidro. O resultado é uma peça bem menos sensível ao tipo de óleo e mais resistente à degradação química.
2. Garantia estendida de 240 mil km. Anunciada em novembro de 2024, vale para todos os carros produzidos a partir de 2020 com os motores três cilindros — ou seja, alcança inclusive quem já tem um Tracker mais antigo na garagem.
A Regra de Ouro da Correia Banhada a Óleo do Tracker
Aqui está o detalhe que decide tudo. Para manter a cobertura de 240 mil km da correia banhada a óleo do Tracker, o proprietário precisa cumprir três exigências:
- Seguir o plano de manutenção oficial nos prazos corretos
- Realizar as revisões na rede de concessionárias Chevrolet
- Usar exclusivamente óleo com certificação Dexos 1 Gen 3 (o ACDelco é o homologado pela marca)
A viscosidade correta varia conforme o motor, então confirme no manual do seu veículo antes de qualquer troca. O ponto inegociável é a certificação Dexos — é a aditivação dela que protege a correia.
Trocar óleo em posto sem essa especificação para economizar R$ 80 pode custar um motor inteiro e, pior, anular a garantia da peça. Nenhuma economia compensa isso.
Além da Correia Banhada a Óleo do Tracker: o Que Mudou em 2027

A linha 2027 do SUV compacto chegou com foco em segurança e conectividade, segundo o site oficial da Chevrolet.
A principal novidade é a nova geração do Chevrolet Intelligent Driving, disponível a partir da versão LT: frenagem automática de emergência em baixa velocidade, alerta de colisão frontal com detecção de pedestres e ciclistas, e assistente de permanência em faixa.
As versões com motor 1.0 turbo ganharam sistema Stop/Start, que desliga o motor em paradas rápidas para reduzir consumo e emissões. Todas as versões passam a ter oito anos gratuitos do plano OnStar Basics.
Uma correção importante em relação ao que circula por aí: o painel digital de 8 polegadas e a multimídia MyLink de 11 polegadas não são padrão em toda a linha. A versão de entrada Turbo AT segue com painel TFT de 3,5″ e MyLink de 8″. O conjunto digital completo começa na LT.
Motores, Consumo e Preços Oficiais

Os dois motores que usam a correia banhada a óleo do Tracker são flex e com injeção direta, ambas com câmbio automático de seis marchas e tração dianteira:
- 1.0 Turbo: 115 cv e 18,9 kgfm de torque
- 1.2 Turbo: 141 cv com etanol (139 cv com gasolina) e 22,9 kgfm
O consumo homologado do 1.0 turbo, conforme a Chevrolet, é de 11,5 km/l na cidade e 13,8 km/l na estrada com gasolina; com etanol, 8,1 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada.
Os preços das cinco versões:
| Versão | Motor | Preço |
|---|---|---|
| Turbo AT | 1.0 Turbo | R$ 119.990 |
| LT Turbo AT | 1.0 Turbo | R$ 146.690 |
| LTZ Turbo AT | 1.0 Turbo | R$ 162.890 |
| Premier Turbo | 1.2 Turbo | R$ 179.790 |
| RS Turbo | 1.2 Turbo | R$ 180.790 |
O SUV mantém 4,30 m de comprimento, 2,57 m de entre-eixos e porta-malas de 393 litros.

Opinião: a Correia Ainda Deve Assustar o Comprador?
Na nossa leitura, não — mas por um motivo diferente do que a Chevrolet gostaria de ouvir.
A garantia de 240 mil km é um gesto de confiança forte da marca no próprio produto. Nenhuma montadora estende cobertura acima da garantia do carro se acha que a peça vai falhar. Nesse sentido, a correia banhada a óleo do Tracker deixou de ser um risco técnico.
O que continua sendo um risco é comportamental. A cobertura exige revisão em concessionária e óleo homologado — condições que encarecem a manutenção e travam o proprietário na rede oficial. Para quem roda muito, como motorista de aplicativo, isso muda a conta do custo por quilômetro de forma relevante.
E há um ponto que ninguém comenta: no mercado de usados, o histórico de manutenção passou a valer tanto quanto a quilometragem. Um Tracker sem notas fiscais de revisão vale menos hoje do que valia há cinco anos, exatamente por causa dessa peça. Se você compra usado, exigir o histórico deixou de ser paranoia e virou obrigação.
Vale a Pena Comprar o Tracker 2027?
Para quem usa o carro intensamente, a resposta depende menos da ficha técnica e mais da disciplina de manutenção da correia banhada a óleo do Tracker. Com óleo correto e revisões em dia, o motor três cilindros da Chevrolet se prova durável — e o SUV segue entre os mais econômicos da categoria.
Se você está comparando opções antes de decidir, vale ver também nosso guia de como escolher entre SUV híbrido ou elétrico e a análise do GAC Aion UT, alternativa elétrica para motorista de app, que muda bastante essa conta de custo por quilômetro.
A correia banhada a óleo do Tracker não é mais o vilão que foi entre 2020 e 2024. Mas continua sendo o componente que separa quem cuida do carro de quem vai pagar caro por não ter cuidado.
Acompanhe o MotorNeuro para análises que vão além da ficha técnica — com foco em custo real, manutenção e o que realmente pesa no bolso de quem roda muito.





