Existe um SUV chinês que nada. Não é força de expressão, nem modo “só não afoga”. É o SUV anfíbio da Geely, e a proposta é séria: sonar escaneando o fundo, dois propulsores acionados e o carro se deslocando na água como uma pequena embarcação.
A fabricante trata o recurso como item de segurança. E ele nem é o mais inusitado da lista.
Há ainda um detalhe que aproxima essa história do leitor brasileiro: a mesma marca já produz carros no Paraná.

O Que é o SUV Anfíbio da Geely
O nome oficial é Zhanjian 700 — algo como “Navio de Guerra 700” em tradução livre. Em alguns mercados, o modelo aparece como Battleship 700 ou Galaxy Cruiser 700.
O visual lembra o Land Rover Defender. A proposta, o Toyota Land Cruiser. Mas nenhum dos dois tem o truque que a Geely escondeu na traseira.
Segundo o comunicado oficial da Geely, divulgado pela assessoria de imprensa da marca, o sistema combina sonar e dois propulsores para auxiliar o deslocamento do veículo em emergências envolvendo água.
A empresa batizou o recurso de “modo de flutuação e escape de emergência” — e é ele que transforma o Zhanjian 700 no primeiro SUV anfíbio da Geely.

Os Recursos do SUV Anfíbio da Geely Que Parecem Ficção
A Geely não apresenta a função como brincadeira de fim de semana. O enquadramento oficial é de proteção em cenários extremos — ao lado de outros dois recursos que soam ainda mais incomuns em um carro de passeio.
Oxigênio de bordo. Pensado para viagens em grande altitude, o sistema oferece difusão pela cabine e aplicação direta por via nasal, com um modo específico para uso durante o sono em acampamentos.
Comunicação via satélite. Permite enviar mensagens, fotos, áudios curtos e pedidos de socorro em regiões sem cobertura de celular.
O pacote de segurança inclui ainda proteção estrutural e da bateria para situações de capotamento.
Os Números do SUV Anfíbio da Geely: o Que é Oficial e o Que é Estimativa
A validação foi extensa. O comunicado oficial cita 659 veículos de teste e mais de 6,11 milhões de quilômetros rodados, em mais de 80 cenários reais de uso fora de estrada.
A base é a nova arquitetura GTA, que integra o chassi à carroceria. O conjunto híbrido EM-T usa três motores elétricos com tração integral e bloqueio de diferencial.
O que a Geely não divulgou no comunicado: potência. A imprensa internacional, com base na revelação do modelo em Milão, em agosto, aponta cerca de 830 kW — o equivalente a aproximadamente 1.128 cv. É número de hipercarro dentro de um SUV off-road.
Segundo a mesma cobertura, a bateria tem 41,7 kWh, com química LFP fornecida pela CATL, e permite rodar entre 165 e 185 km apenas no modo elétrico. A marca informa ainda profundidade de vadeamento de até 800 mm.
Pré-Venda Esgotada em Minutos

O SUV anfíbio da Geely abriu pré-venda na China em setembro, em seis configurações, com preços entre 199.800 e 389.800 yuans — o equivalente a cerca de US$ 29,4 mil a US$ 57,3 mil.
A marca informou 10 mil pedidos em nove minutos e quase 44 mil em uma hora. A edição limitada “Land Ark”, restrita a 700 unidades, esgotou antes disso.
E o Brasil?
Não há confirmação de chegada do modelo ao país. Reino Unido e Austrália já têm previsão para 2027.
A conexão com o Brasil, porém, é concreta. A Geely opera por aqui por meio da joint-venture Renault Geely do Brasil, com fábrica no Complexo Industrial Ayrton Senna, em São José dos Pinhais (PR). É ali que a marca iniciou a produção do Geely EX5 EM-i, seu primeiro veículo fabricado nas Américas.
Ou seja: a empresa por trás do SUV anfíbio da Geely já tem estrutura industrial instalada no Paraná.
Vale Levar a Sério?

O recurso de flutuação do SUV anfíbio da Geely não foi pensado como atração de feira. A Geely o posiciona como resposta a alagamentos e situações em que o veículo fica ilhado — cenário conhecido de quem vive em regiões sujeitas a enchentes.
Ainda é cedo para saber se essa tecnologia vai migrar para os modelos que a marca vende no Brasil. O que está confirmado é a ambição: 659 carros de teste, mais de 6 milhões de quilômetros e um SUV capaz de se mover na água para provar um ponto.






